DEFESA PESSOAL DE JUDÔ

Autoria: 
Publicado em: 
Data: 
qui, 25.mai.1961
Seção: 
2o. Caderno
Pagina: 
página 7

 

Conforme esse recorte, em Maio de 1961 já se falava de Aikido em jornal do Rio de Janeiro.

 
:::::: Transcrição ::::::

DEFESA PESSOAL DE JUDÔ
Rudolf Hermanny

A Escola de Educação Física do Exército está organizando um manual de defesa pessoal para uso e instrução da tripa, tendo promovido, em data próxima passada, uma reunião de professores de diversas modalidades de luta praticadas nesta cidade, quando foi solicitada a cooperação dos mesmos. Se nem todos puderem comparem, pelo menos os principis grupos especilizados estiveram representados.

O problema do ensino do ataque e defesa sem armas aos que servem durante períodos reduzidos (atualmente oito meses) é de difícil solução, pois o tempo que é dedicado a esta atividade é muito escasso. É difícil fugir ao esquema das posições isoladas, a que se prendem, sempre, os cursos apressados, de eficiência pouco convincente.

O problema deveria ser enfrentado pela solução mais longa, iniciando-se a formação de grande número de instrutores especializados que pudessem lecionar a todos os alunos dos colégios militares, nas escolas de formação de oficiais e nas de formação de sargentos. Com isto, dentro de alguns anos, a maior parte dos oficiais, suboficiais e sargentos, estaria apta, a instruir a tropa dentro desta especialidade, com maior eficiência. O sistema dos manuais, isolado da necessária vivência desta atividade, é tão aplicável quanto o estudo de línguas sem mestres; árduo e desanimador.

A prática dos diversos sistemas de defesa pessoal deve ser precedida pelos exercícios das lutas que lhes deram origem, pois os estratagemas especificados para cada situação nada mais são do que recursos baseados em posição de luta, acrescidos por pancadas oportunas. Assim, no judô, os esquemas indicados para as diversas situações constam de projeções, forçamentos e estrangulamentos, precedidos de bloqueios dos ataques e acompanhados por pancadas nos pontos vitais. A essência dos movimentos é encontrada na prática esportiva ou acadêmica.

De forma geral, tôdas as lutas (como o boxe, a luta-livre, a savate, o karatê, a capoeira, etc...) se prestam a servir como base a um sistema de defesa pessoal, pois, em suas origens, era este o seu objetivo comum. Existem ainda, no Japão, escolas e sistemas dedicados, ùnicamente, a esta finalidade, destacando-se o Aikidô, com grande popularidade, baseado em torções.

A capoeira, luta fortemente brasileira, e a modalidade conhecida entre nós por “luta-livre” (autêntico judô sem quimono) podem bem ser combinados para um treinamento básico, sendo bem recebidos pelos jovens brasileiros. A grande habilidade no manejo das pernas e dos pés, desenvolvida pela larga prática do futebol, justificaria um incremento da capoeira objetiva, tal como é ensinada pelo veterano Sinhôzinho, (Agenor Moreita Sampaio) no Rio de Janeiro.

Não obstante, após a última guerra, o ensino do judô foi introduzido nas Fôrças Armadas dos países de maior desenvolvimento bélico, principalmente em unidades destinadas a operações especiais e de “comandos”. Nos Estados Unidos, a Fôrça Aérea possui a mais forte equipe desta modalidade, sendo seus representantes várias vezes campeões nacionais. No Brasil, o Regimento Aéro-Terrestre já possui bons judoistas, em constante melhoramento.

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